Acampamento do 1º Ano

          - Correndo aluno! - gritava o tenente.
          Tudo isto porque o 1º ano ia fazer um acampamento. Ninguém acreditou quando o major nos disse. Quando enxergamos a realidade, lá estávamos nós, com mochila nas costas, mosquetão no ombro, atravessando, imponentes, o Portão das Armas, seguindo na direção do aeroporto.
          As mochilas, que, a princípio, pareciam leves, começaram a tornar-se cada vez mais pesadas à medida que andávamos e a cidade sumia às nossas costas. Agora, não mais haviam os civis que, parando para nos observar, faziam-nos vibrar, renovando nossas forças.
          A estrada já não era asfaltada, e sim, de barro. O sol parecia mais próximo e mais forte do que o de costume.
          Soou o apito do major; hora de parada para des­canso.
          - Já devemos ter andado uns 4 km - comentei com um colega.
          - Então ainda faltam 12 - lembrou ele.



          A idéia entristeceu-me mas não tive tempo para pensar muito, pois o apito torno a soar e nos pusemos novamente em marcha.
          Quando já tínhamos andado uns 13 km avistamos uma pequena cachoeira. Os cantis já iam vazios, e alguns até trataram de jogar fora sua água, afinal iriam recolocá-la fresca. Mas, para surpresa de todos, o major não autorizou ninguém a encher os cantis.
          Seguimos caminho e só paramos quando chegamos ao local do acampamento. Começamos a armar nossas barracas. Quando terminamos, fomos jantar; não sem antes, é claro, prestarmos continência à bandeira, que foi arriada, uma vez que o véu da noite já começava a cobrir a luz do sol.
          Quando pensei que, finalmente, ia poder descansar, descobri que meu grupo de combate fôra escalado para tirar serviço. Fui parar em um posto de sentinela no alto de uma colina. Lá de cima podia-se ver o acampamento e, do outro lado, o aeroporto. Ao redor, só escuridão.
          Depois de duas horas no frio, tentei dormir o resto da noite, entre buracos de formigas. Acordei com o corneteiro tocando a alvorada. Logo depois, escutava os berros do major:
          - Aonde está a sua arma aluno?
          - Sumiu durante a noite, senhor!
          - Pois então carregue esta "bazuca" como substituta.


          E lá se foi o aluno com um enorme tronco de árvore que dava quase duas vezes a sua altura. A manhã já começava agitada.
          Após o café, a primeira companhia foi "ralar" em um descampado próximo. Enquanto isto, a segunda companhia recebia instrução no acampamento, em um bate-papo bem agradável com o capitão. Após o almoço as coisas se inverteram.
          A tarde, fomos tomar um "banho" em um lago. Eu não sei se depois do "banho" eu estava mais limpo ou mais sujo do que antes. Sei apenas que o frescor da água me ajudou bastante.
          Como minha companhia não iria tirar serviço naquela noite, aproveitei para tentar dormir um pouco, mas lá pelas três da madrugada ouvi soar o apito do major. Ouvi também a ordem de entrar em forma, pois os "guerrilheiros" haviam atacado um posto sentinela. Seguimos em direção ao posto e quando lá chegamos não encontramos os sentinelas. Retomamos ao acampamento e, ao nos aproximarmos, notamos que todas as barracas haviam sido derrubadas. O major disse que foram os "guerrilheiros". Nós "acreditamos".
          Juntamente com o meu companheiro, fui tentar remontar a barraca e, quando finalmente conseguimos, já eram quase cinco horas. Um pouco depois, o corneteiro tocou a alvorada.


          Passamos a manhã limpando o acampamento, e depois do almoço começamos a desarmar as barracas, montamos a mochila, entramos em forma e partimos.
          Durante o caminho, enquanto subíamos uma das várias ladeiras que enfrentamos, um colega desmaiou. Alguns o socorreram e o levaram para a ambulância. Imaginei que meu destino seria o mesmo, mas tive forças para aguentar até o final.
          Quando nos aproximamos da escola, encontramos com a Banda, que marchou à nossa frente, tocando a Canção da Escola. Passamos pelo Portão das Armas triunfantes. No pátio da bandeira o terceiro e o segundo esquadrão estavam formados, nos esperando. Foi aí que nós vibramos mesmo. Tínhamos feito um acampamento antes mesmo do segundo ano que, com olhos curiosos nos observava. Não havia dor que apagasse aquele momento, Nós havíamos conseguido, provamos que éramos bons. E, mais uma vez, nós mostramos do que éramos capazes, afinal de contas, nós formamos a Turma 81.

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Última atualização: novembro de 2008

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